John Lennon: A Biografia - Capítulo I

John Lennon: Unseen Archives?Escrito por Marie Clayton e Gareth Thomas?com pequenos detalhes extraídos do livro ?John Lennon: Famous People Famous Lives ?escrito por Harriet Castor?Tradução e adaptação de Antonio Celso Barbieri
Introdução do Barbieri
No dia 9 de outubro de 2009 fui fazer minha caminhada habitual até Angel, um bairro próximo de onde vivo, aqui em Londres. Sempre que visito Angel, obrigatoriamente dou uma passadinha numa loja de caridade que vende roupas, livros e CDs usados. Logo ao entrar notei na prateleira este livro com a foto do John Lennon chamado John Lennon: Unseen Archives contendo, além de uma biografia do John, centenas e centenas de fotos tiradas dos arquivos do jornal Daily Mail. Como já conheço o lugar e sei que se não comprar imediatamente possivelmente o livro desaparecerá em minutos, não pensei duas vezes. Quando cheguei em casa e comecei saborear minha compra, num choque, descobri que naquele dia se John Lennon estivesse vivo estaria fazendo 69 anos. Que coincidência tinha comprado o livro no dia do aniversário dele! À noitinha quando minha esposa chegou da escola onde trabalha, trazia um livreto, tipo história em quadrinhos chamado John Lennon: Famous People Famous Lives. Nem preciso dizer que fui compelido à escrever este artigo.
Lennon sempre foi meu herói. Não tanto pelos motivos que muita gente acha importante. Eu sempre considerei Lennon o meu modelo porque Lennon nunca foi uma pessoa perfeita. Longe disto! Ele sempre foi um livro aberto e sempre manifestou as suas idéias abertamente. Quando ele amava todo mundo sabia. Quando ele odiava todo mundo sabia. Quando ele errava ele pedia desculpas e, se achava que estava certo, batia o pé! Ele era como qualquer um de nós. Ele era uma típico representante da classe operária. Ele era povo. Como um artista de verdade ele buscava na sua dor, no seu “blues” a inspiração para sua música. Se dependesse dele The War Was Over. A guerra, toda guerra, já teria acabado. Algumas das suas composições com por exemplo Imagine, Power to the People e Give a Peace a Chance são hinos eternos e mostram que Lennon tinha uma forte consciência social e desejo de mudar o mundo para melhor.
Capítulo I ?Os primeiros anos: “With love from me to you”
John Winston Lennon foi um homem cheio de contradições : Muitas vezes agressivo, com um humor ácido e uma língua afiada, sempre opondo-se à qualquer forma de autoridade e, determinado a seguir seu caminho não importasse a oposição geral. Não obstante, sua personalidade forte, ele também era gentil, generoso e às vezes até profundamente sentimental.
Sem dúvida, muito da sua natureza complexa e até contraditória, como seria revelada mais tarde em suas canções, foi formada no começo turbulento e inseguro de sua existência.
Sua mãe Julia trabalhava como lanterninha num cinema quando encontrou e casou-se com Alfred Lennon mais conhecido como Fred. Fred era um marinheiro e, poucos meses depois do casamento ela já estava de volta ao mar. Muito embora no começo Fred escrevesse com freqüência e mandasse dinheiro para casa, suas continuas ausências causaram um desgaste severo no casamento.
Então, não foi nenhuma surpresa saber em 09 de outubro de 1940 Fred estava em alto mar quando John Lennon nasceu.
A Europa estava vivendo a Segunda Guerra Mundial e a Inglaterra estava sendo bombardeada pelos alemães quando John Winston Lennon nasceu. O nome Wisnton foi uma homenagem ao Primeiro Ministro Winston Churchill
Mais tarde, as viagens do Fred tornaram-se mais erráticas e as cartas para casa ficaram cada vez menos freqüentes.
Julia era jovem, atraente e não estava preparada para ficar dentro de casa sentada esperando por um marido desaparecido. Um romance rápido acabou em gravidez e o nascimento de uma filha foi colocada rapidamente para adoção. Pouco tempo depois, Julia apaixonou-se por John “Bobby” Dykins, um garçom de hotel e, junto com o pequeno John Lennon mudaram-se para o minúsculo apartamento do Bobby.
Como Julia ainda estava legalmente casada com Fred, a família dela ficou horrorizada. Mimi, a sua irmã mais velha, que era casada mas não tinha filhos veio para levar o John Lennon para a casa dela. No principio Julia não permitiu mas, infelizmente para ela, o Departamento de Serviços Sociais foi acionado e ela teve que entregar a guarda do John que foi levado para a confortável residência da “tia” Mimi e seu marido George que moravam na avenida Menlove em Woolton.
Por um tempo a vida do John ficou tranqüila. Sua tia era muito severa quanto à disciplina mas, adorava John desde seu nascimento. Seu tio George gostava muito do filho adotivo. John podia sempre contar com o tio George para brincar, receber encorajamento e também para livrá-lo das encrencas. John não perdeu contato com sua mãe que vinha visitá-lo todos os dias.
Entretanto, em julho de 1946 Fred Lennon, o pai do John apareceu novamente e convenceu a tia Mimi à deixar que ele levasse o John, por um dia, para um passeio na praia em Blackpool. Ele aparentemente tinha planejado sumir com o menino e começar vida nova na Nova Zelândia. Julia desconfiou do plano e saiu correndo atrás deles.
John Lennon com apenas 5 anos de idade presenciou a briga dos pais por sua causa. Então Fred pediu para o pequeno John escolher com qual dos pais ele queria ficar. Foi uma situação impossível. Ele amava sua mãe mas queria ter seu pai por perto. À princípio John escolheu Fred, seu pai, mas quando ele viu sua mãe indo embora ele saiu correndo atrás dela chorando. Julia então levou John para a segurança da casa da tia Mimi e passariam muitos anos até que John visse seu pai novamente.
Enquanto isto, Julia acertou-se com Bobby Dykins e eles tiveram duas filhas: Julia e Jacqui. Eles viviam bem perto da casa da tia Mimi e John se dava muito bem com as suas duas meio irmãs e também com Bobby Dykins. Então, apesar de John continuar vivendo com a tia Mimi ele visitava sua mãe com freqüência.
Quando John começou ir para a escola ele se deu muito bem e, muito embora ele tivesse uma personalidade forte, no principio, John conseguiu ficar longe de encrencas. Foi logo depois, já com 11 anos, quando ele mudou de escola e começou estudar em Quarry Bank que os problemas começaram à aparecer. Quarry Bank era uma escola mais autoritária e John rapidamente decidiu que não respeitaria os professores. Também, neste período, ficou claro que John tinha um problema de visão e não conseguia ver as coisas próximas. John odiava usar óculos e portanto não conseguia enxergar a lousa. Para complicar mais as coisas, em 1955 seu tio George morreu subitamente. Muito embora John fosse inteligente, ele perdeu interesse pela escola, começou matar as aulas, falar palavrões e fumar. Suas notas caíram e logo ele ganhou a reputação de encrenqueiro. Mimi ficou muito preocupada e triste mas não havia nada que ela pudesse fazer para mudar a situação.
Neste período, John começou visitar mais e mais a sua mãe. Julia era muito diferente da séria tia Mimi. Ela era cabeça dura, vivia sempre dando risadas, não gostava de qualquer tipo de autoridade e amava pregar peças nas pessoas. Ela sabia tocar um pouco de banjo e ensinou John os primeiros acordes. Com o encorajamento da sua mãe Julia que lhe comprou um violão barato, John rapidamente ficou seriamente interessado em música. Isto tudo, para desespero da tia Mimi que não via futuro no caminho que John estava tomando. John e Julia adoravam Elvis Presley e, não demorou muito para John adotar o modelito “teddy boy” usando topetinho, jaqueta de couro preta e jeans. John então, fundou sua primeira banda de “skifle” primeiramente chamada The Blackjaks mas logo rebatizada com o nome The Quarry Men (uma clara referência à sua escola).
Foi em julho de 1957 quando sua banda The Quarry Men tocou numa festa para uma igreja que John encontrou-se pela primeira vez com Paul McCartney. Como Paul vinha de uma família musical e já sabia tocar guitarra, logo ele foi convidado a fazer parte da banda. Como tia Mimi não aprovava a banda John ensaiava na casa do Paul.
Em setembro de 1957 quando John terminou seus estudos em Quarry Bank, ele começou estudar arte no Liverpool College of Art. Muito embora, tivesse interesse e habilidade em arte, John não conseguiu avançar nada. A verdade é que John estava determinado em não deixar nada ficar entre ele e o rock’n’roll. No colégio John ficou muito amigo de um artista talentoso chamado Stuart Sutcliffe e convenceu-o à juntar-se ao seu grupo The Quarry Men. Neste mesmo período Paul McCartney trouxe George Harrison para a banda.
Parecia que finalmente John tinha encontrado o seu caminho quando o destino lhe derruba novamente. Em julho de 1958, quando voltava para sua casa depois de uma visita à sua irmã Mimi, Julia quando atravessava uma rua foi atropelada por um carro e morreu instantaneamente. John só tinha 17 anos. A morte da sua mãe que ele considerava uma alma gêmea, devastou John de forma tão severa que ele teve dificuldades para falar sobre esta perda por muitos e muitos anos.
Muitos estudantes no colégio lembram-se que John tinha uma personalidade marcante e que, as garotas geralmente o achavam muito atraente. Ele naturalmente teve muitos casos amorosos mas, logo envolveu-se seriamente com Cynthia Powell. Eles tinham uma relação aparentemente impossível porque Cynthia vinha de uma família bem situada economicamente do lado rico de Mersey. Ao contrário do John, ela tinha tido uma formação restrita e era muito quieta. A verdade é que a atração entre eles foi imediata e mútua. Logo, um começou à influenciar o outro. John abandonou seu visual “teddy boy” e passou a vestir-se de forma mais convencional enquanto que Cynthia percebendo que John tinha uma obsessão pela Brigitte Bardot tingiu o cabelo de loiro e passou a usar roupas mais provocantes.
The Beatles
A banda do Buddy Holly chamava-se The Crickets (Os Grilos) e o nome “crickets” (grilos) fez John Lennon pensar em “beetles” (besouros). Naquela época a música que John estava tocando era conhecida como “beat music” portanto John teve a idéia de fazer um trocadilho com “beetles” e “beat” inventando a palavra “beatles”.
Já em 1960 a banda The Quarry Men tinha mudado de nome para The Beatles, estavam crescendo musicalmente e até ganhando algum dinheiro. A virada importante aconteceu em agosto daquele ano. Um dono de um clube em Liverpool tinha contato com clubes em Hamburgo na Alemanha e acertou uma série de shows. Depois de rapidamente aceitarem Pete Best como baterista os 5 músicos viajaram para a Alemanha. Para poder tocar em Hamburgo, John abandonou a escola de arte. Em Hamburgo eles encontraram-se com Astrid Kirchherr que cortou o cabelo deles no famoso modelo “tigelinha”.
Em Hamburgo Os Beatles tocaram em uns clubes “barra-pesada” onde sempre aconteciam brigas. Algumas vezes a banda teve até que dormir dentro de um cinema e teve noite que tocaram até 8 horas seguidas. A banda não se importava e aprenderam a tocar em máximo volume (para a época!), pular no palco e manter a platéia entretida. Durante muitas visitas à Hamburgo pelos próximos 2 anos o som clássico e típico dos Beatles foi desenvolvido e melhorado. Pouco tempo depois, Stuart Sutcliffe abandonava o grupo para ficar com Astrid em Hamburgo e concentrar-se mais à sua arte. John e Stuart continuaram muito bons amigos e foi com muito pesar que ele ficou sabendo que da Stuart tinha tido uma hemorragia cerebral e morrido repentinamente. John tinha perdido mais uma pessoa importante na sua vida.
Lá pelo final de 1961 The Beatles começaram causar um impacto em Liverpool. Um dono de loja de discos da área chamado Brian Epstein começou receber pedidos de discos dos Beatles na sua loja e resolveu fazer uma visita ao Cavern Club para conferir o som da banda. Apesar de Epstein nunca ter trabalhado nesta área ele ofereceu-se para empresariar a banda. John Lennon gostou dele e aceitou a proposta em nome do grupo. Epstein imediatamente começou colocar ordem na casa pedindo para a banda usar terninhos e não comer ou fumar no palco. Foi só lá pela metade de 1962 e depois de muito trabalho duro que Epstein conseguiu um contrato de gravação com a gravadora EMI.
Havia, porém um problema, George Martin que trabalhava para a EMI não estava satisfeito com as habilidades do Pete Best como baterista. John, não pensou duas vezes, mandando o próprio empresário, Brian Epstein demiti-lo. Enquanto isto o próprio John saiu correndo para convidar Ringo Starr. John tinha conhecido Ringo em Hamburgo. Conta-se que Pete Best tinha muitos fãs em Liverpool e os fãs ficaram furiosos. Outras biografias dizem que a decisão de demitir o baterista não foi só do John e que Paul e George também eram amigos do Ringo. De qualquer forma, a formação final dos Beatles estava completa.
Neste período aconteceu uma outra grande mudança na vida pessoal do John. Cynthia ficou grávida e no dia 23 de agosto os dois casaram-se em Liverpool. Este casamento foi, na época, mantido em sigilo para não afetar a popularidade da banda que contava com uma legião de fãs ciumentas.
Em outubro de 1962, Os Beatles já tinham lançado um disco e estavam para aparecer pela primeira vez em Londres num programa de TV mas, a banda ainda era uma completa desconhecida fora de Merseyside, a região que incluía a cidade de Liverpool. Durante 1963 a banda trabalhou pesado fazendo 3 tournées pela Inglaterra, duas tournées pela Escócia, uma tournée pequena pela Suécia além de, inúmeros shows individuais. Eles lançaram dois LPs, três EPs e quatro compactos. Fizeram muitas gravações para TV e rádio além de participarem de inúmeras entrevistas e sessões fotográficas. O segundo compacto foi lançado no começo de 1963 e depois de uma subida rápida chegou ao primeiro lugar em fevereiro daquele ano. Naquela época a banda estava em tournée abrindo para Helen Shapiro mas, lentamente Os Beatles passaram a ser a atração principal. O próximo mês trouxe mais felicidade para John Lennon pois, Cynthia deu a luz ao seu filho John Charles Julian.
Com uma agenda de shows tão desgastante, John precisava desesperadamente dar uma parada para descansar mas, Cynthia estava muito ocupada com o recém nascido. Então, Brian Epstein convidou John Lennon para umas férias na Espanha e ele rapidamente aceitou. Muita gente acha que John agiu de forma totalmente inocente mas, como Epstein era homossexual, boatos surgiram por todos os lados questionando a sexualidade do John. A coisa explodiu na festa de 20 anos do Paul McCartney no Cavern Club quando o DJ Bob Wooler fez um comentário malicioso sobre as férias do John com Eptein na Espanha. John imediatamente atacou o DJ mandando-o para o hospital com um olho roxo e umas costelas machucadas. Esta briga, no Reino Unido, virou capa dos jornais. Particularmente John Lennon não se arrependeu porque achou que o DJ Bob Wooler tinha procurado encrenca. Publicamente, John foi rápido em se desculpar...
Em outubro de 1963 uma aparição dos Beatles numa rede de TV, no programa Sunday Night no London Palladium do Val Parnell levou uma legião de fãs histéricas fora do teatro em Londres. Teatro este que normalmente era muito tranqüilo. Este acontecimento despertou a tenção da imprensa e daí então a Beatlemania tomou conta do Reino Unido. Algumas semanas depois, quando John, Paul, George e Ringo desembarcaram no aeroporto de Heatrow vindos de uma pequena tournée na Suécia, eles ficaram chocados de ver milhares de fãs, no aeroporto, na chuva, esperando-os para dar as boas vindas.
Lá pelo final de 1963, Os Beatles foram convidados para aparecer no The Royal Variety Performance que é um evento de gala presenciado pela família real cuja renda é doada para o Entertainment Artistes' Benevolent Fund. Este fundo de caridade tem a rainha como patrona. John Lennon estava determinado a dar uma esnobada na realeza e fez a sua famosa fala irreverente: “O povo nos lugares mais baratos baterão palmas? O resto de vocês só balancem, as jóias!” O ano fechou com John e Paul sendo descritos pelo jornal The Times como “os compositores ingleses excepcionais de 1963”. Desde o começo, John e Paul tinham concordado entre eles que não importa quem escrevesse, todas as músicas teriam os nomes de Lennon-McCartney como compositores. Nenhum dos dois tinha idéia de como esta decisão ganharia importância no futuro.
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JOHN LENNON: ARQUIVOS NUNCA VISTOS
A Biografia de John Lennon - Capítulo I
Escrito por  Marie Clayton e Gareth Thomas
Tradução e adaptação de Antonio Celso Barbieri

(Este capítulo contém pequenos detalhes extraídos do livro
John Lennon: Famous People Famous Lives escrito por Harriet Castor)

 

Introdução do Barbieri

No dia 9 de outubro de 2009 fui fazer minha caminhada habitual até Angel, um bairro próximo de onde vivo, aqui em Londres. Sempre que visito Angel, obrigatoriamente dou uma passadinha numa loja de caridade que vende roupas, livros e CDs usados. Logo ao entrar notei na prateleira este livro com a foto do John Lennon chamado John Lennon: Unseen Archives contendo, além de uma biografia do John, centenas e centenas de fotos tiradas dos arquivos do jornal Daily Mail. Como já conheço o lugar e sei que se não comprar imediatamente possivelmente o livro desaparecerá em minutos, não pensei duas vezes. Quando cheguei em casa e comecei saborear minha compra, num choque, descobri que naquele dia se John Lennon estivesse vivo estaria fazendo 69 anos. Que coincidência tinha comprado o livro no dia do aniversário dele! À noitinha quando minha esposa chegou da escola onde trabalha, trazia um livreto, tipo história em quadrinhos chamado John Lennon: Famous People Famous Lives. Nem preciso dizer que fui compelido à escrever este artigo.

Lennon sempre foi meu herói. Não tanto pelos motivos que muita gente acha importante. Eu sempre considerei Lennon o meu modelo porque Lennon nunca foi uma pessoa perfeita. Longe disto! Ele sempre foi um livro aberto e sempre manifestou as suas ideias abertamente. Quando ele amava, todo mundo sabia. Quando ele odiava, todo mundo sabia. Quando ele errava, pedia desculpas e, se achava que estava certo, batia o pé! Ele era como qualquer um de nós. Ele era uma típico representante da classe operária. Ele era povo. Como um artista de verdade ele buscava na sua dor, no seu “blues” a inspiração para sua música. Se dependesse dele The War Was Over. A guerra, toda guerra, já teria acabado. Algumas das suas composições com por exemplo Imagine, Power to the People e Give a Peace a Chance são hinos eternos e mostram que Lennon tinha uma forte consciência social e desejo de mudar o mundo para melhor.

Os primeiros anos: “With love from me to you”

John Winston Lennon foi um homem cheio de contradições : Muitas vezes agressivo, com um humor ácido e uma língua afiada, sempre opondo-se à qualquer forma de autoridade e, determinado a seguir seu caminho não importasse a oposição geral. Não obstante, sua personalidade forte, ele também era gentil, generoso e às vezes até profundamente sentimental.

Sem dúvida, muito da sua natureza complexa e até contraditória, como seria revelada mais tarde em suas canções, foi formada no começo turbulento e inseguro de sua existência.

Sua mãe Julia trabalhava como lanterninha num cinema quando encontrou e casou-se com Alfred Lennon mais conhecido como Fred. Fred era um marinheiro e, poucos meses depois do casamento ela já estava de volta ao mar. Muito embora no começo Fred escrevesse com freqüência e mandasse dinheiro para casa, suas continuas ausências causaram um desgaste severo no casamento. Então, não foi nenhuma surpresa saber em 09 de outubro de 1940 Fred estava em alto mar quando John Lennon nasceu.

A Europa estava vivendo a Segunda Guerra Mundial e a Inglaterra estava sendo bombardeada pelos alemães quando John Winston Lennon nasceu. O nome Wisnton foi uma homenagem ao Primeiro Ministro Winston Churchill

Mais tarde, as viagens do Fred tornaram-se mais erráticas e as cartas para casa ficaram cada vez menos freqüentes.

Julia era jovem, atraente e não estava preparada para ficar dentro de casa sentada esperando por um marido desaparecido. Um romance rápido acabou em gravidez e o nascimento de uma filha foi colocada rapidamente para adoção. Pouco tempo depois, Julia apaixonou-se por John “Bobby” Dykins, um garçom de hotel e, junto com o pequeno John Lennon mudaram-se para o minúsculo apartamento do Bobby.

Como Julia ainda estava legalmente casada com Fred, a família dela ficou horrorizada. Mimi, a sua irmã mais velha, que era casada mas não tinha filhos veio para levar o John Lennon para a casa dela. No principio Julia não permitiu mas, infelizmente para ela, o Departamento de Serviços Sociais foi acionado e ela teve que entregar a guarda do John que foi levado para a confortável residência da “tia” Mimi e seu marido George que moravam na avenida Menlove em Woolton.

Por um tempo a vida do John ficou tranqüila. Sua tia era muito severa quanto à disciplina mas, adorava John desde seu nascimento. Seu tio George gostava muito do filho adotivo. John podia sempre contar com o tio George para brincar, receber encorajamento e também para livrá-lo das encrencas. John não perdeu contato com sua mãe que vinha visitá-lo todos os dias.

Entretanto, em julho de 1946 Fred Lennon, o pai do John apareceu novamente e convenceu a tia Mimi à deixar que ele levasse o John, por um dia, para um passeio na praia em Blackpool. Ele aparentemente tinha planejado sumir com o menino e começar vida nova na Nova Zelândia. Julia desconfiou do plano e saiu correndo atrás deles.

John Lennon com apenas 5 anos de idade presenciou a briga dos pais por sua causa. Então Fred pediu para o pequeno John escolher com qual dos pais ele queria ficar. Foi uma situação impossível. Ele amava sua mãe mas queria ter seu pai por perto. À princípio John escolheu Fred, seu pai, mas quando ele viu sua mãe indo embora ele saiu correndo atrás dela chorando. Julia então levou John para a segurança da casa da tia Mimi e passariam muitos anos até que John visse seu pai novamente.

Enquanto isto, Julia acertou-se com Bobby Dykins e eles tiveram duas filhas: Julia e Jacqui. Eles viviam bem perto da casa da tia Mimi e John se dava muito bem com as suas duas meio irmãs e também com Bobby Dykins. Então, apesar de John continuar vivendo com a tia Mimi ele visitava sua mãe com freqüência.

Quando John começou ir para a escola ele se deu muito bem e, muito embora ele tivesse uma personalidade forte, no principio, John conseguiu ficar longe de encrencas. Foi logo depois, já com 11 anos, quando ele mudou de escola e começou estudar em Quarry Bank que os problemas começaram à aparecer. Quarry Bank era uma escola mais autoritária e John rapidamente decidiu que não respeitaria os professores. Também, neste período, ficou claro que John tinha um problema de visão e não conseguia ver as coisas próximas. John odiava usar óculos e portanto não conseguia enxergar a lousa. Para complicar mais as coisas, em 1955 seu tio George morreu subitamente. Muito embora John fosse inteligente, ele perdeu interesse pela escola, começou matar as aulas, falar palavrões e fumar. Suas notas caíram e logo ele ganhou a reputação de encrenqueiro. Mimi ficou muito preocupada e triste mas não havia nada que ela pudesse fazer para mudar a situação.

Neste período, John começou visitar mais e mais a sua mãe. Julia era muito diferente da séria tia Mimi. Ela era cabeça dura, vivia sempre dando risadas, não gostava de qualquer tipo de autoridade e amava pregar peças nas pessoas. Ela sabia tocar um pouco de banjo e ensinou John os primeiros acordes. Com o encorajamento da sua mãe Julia que lhe comprou um violão barato, John rapidamente ficou seriamente interessado em música. Isto tudo, para desespero da tia Mimi que não via futuro no caminho que John estava tomando. John e Julia adoravam Elvis Presley e, não demorou muito para John adotar o modelito “teddy boy” usando topetinho, jaqueta de couro preta e jeans. John então, fundou sua primeira banda de “skifle” primeiramente chamada The Blackjaks mas logo rebatizada com o nome The Quarry Men (uma clara referência à sua escola).

Foi em julho de 1957 quando sua banda The Quarry Men tocou numa festa para uma igreja que John encontrou-se pela primeira vez com Paul McCartney. Como Paul vinha de uma família musical e já sabia tocar guitarra, logo ele foi convidado a fazer parte da banda. Como tia Mimi não aprovava a banda John ensaiava na casa do Paul.

Em setembro de 1957 quando John terminou seus estudos em Quarry Bank, ele começou estudar arte no Liverpool College of Art. Muito embora, tivesse interesse e habilidade em arte, John não conseguiu avançar nada. A verdade é que John estava determinado em não deixar nada ficar entre ele e o rock’n’roll. No colégio John ficou muito amigo de um artista talentoso chamado Stuart Sutcliffe e convenceu-o à juntar-se ao seu grupo The Quarry Men. Neste mesmo período Paul McCartney trouxe George Harrison para a banda.

Parecia que finalmente John tinha encontrado o seu caminho quando o destino lhe derruba novamente. Em julho de 1958, quando voltava para sua casa depois de uma visita à sua irmã Mimi, Julia quando atravessava uma rua foi atropelada por um carro e morreu instantaneamente. John só tinha 17 anos. A morte da sua mãe que ele considerava uma alma gêmea, devastou John de forma tão severa que ele teve dificuldades para falar sobre esta perda por muitos e muitos anos.

Muitos estudantes no colégio lembram-se que John tinha uma personalidade marcante e que, as garotas geralmente o achavam muito atraente. Ele naturalmente teve muitos casos amorosos mas, logo envolveu-se seriamente com Cynthia Powell. Eles tinham uma relação aparentemente impossível porque Cynthia vinha de uma família bem situada economicamente do lado rico de Mersey. Ao contrário do John, ela tinha tido uma formação restrita e era muito quieta. A verdade é que a atração entre eles foi imediata e mútua. Logo, um começou à influenciar o outro. John abandonou seu visual “teddy boy” e passou a vestir-se de forma mais convencional enquanto que Cynthia percebendo que John tinha uma obsessão pela Brigitte Bardot tingiu o cabelo de loiro e passou a usar roupas mais provocantes.

The Beatles

A banda do Buddy Holly chamava-se The Crickets (Os Grilos) e o nome “crickets” (grilos) fez John Lennon pensar em “beetles” (besouros). Naquela época a música que John estava tocando era conhecida como “beat music” portanto John teve a idéia de fazer um trocadilho com “beetles” e “beat” inventando a palavra “beatles”.

Já em 1960 a banda The Quarry Men tinha mudado de nome para The Beatles, estavam crescendo musicalmente e até ganhando algum dinheiro. A virada importante aconteceu em agosto daquele ano. Um dono de um clube em Liverpool tinha contato com clubes em Hamburgo na Alemanha e acertou uma série de shows. Depois de rapidamente aceitarem Pete Best como baterista os 5 músicos viajaram para a Alemanha. Para poder tocar em Hamburgo, John abandonou a escola de arte. Em Hamburgo eles encontraram-se com Astrid Kirchherr que cortou o cabelo deles no famoso modelo “tigelinha”.

Em Hamburgo Os Beatles tocaram em uns clubes “barra-pesada” onde sempre aconteciam brigas. Algumas vezes a banda teve até que dormir dentro de um cinema e teve noite que tocaram até 8 horas seguidas. A banda não se importava e aprenderam a tocar em máximo volume (para a época!), pular no palco e manter a platéia entretida. Durante muitas visitas à Hamburgo pelos próximos 2 anos o som clássico e típico dos Beatles foi desenvolvido e melhorado. Pouco tempo depois, Stuart Sutcliffe abandonava o grupo para ficar com Astrid em Hamburgo e concentrar-se mais à sua arte. John e Stuart continuaram muito bons amigos e foi com muito pesar que ele ficou sabendo que da Stuart tinha tido uma hemorragia cerebral e morrido repentinamente. John tinha perdido mais uma pessoa importante na sua vida.

Lá pelo final de 1961 The Beatles começaram causar um impacto em Liverpool. Um dono de loja de discos da área chamado Brian Epstein começou receber pedidos de discos dos Beatles na sua loja e resolveu fazer uma visita ao Cavern Club para conferir o som da banda. Apesar de Epstein nunca ter trabalhado nesta área ele ofereceu-se para empresariar a banda. John Lennon gostou dele e aceitou a proposta em nome do grupo. Epstein imediatamente começou colocar ordem na casa pedindo para a banda usar terninhos e não comer ou fumar no palco. Foi só lá pela metade de 1962 e depois de muito trabalho duro que Epstein conseguiu um contrato de gravação com a gravadora EMI.

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John Lennon apresentando-se no Cavern Club em dezembro de 1961. Muito embora no mes anterior a banda já tivesse começado trabalhar com Brian Epstein eles ainda não tinham começado a usar os terninhos.

Havia porém um problema, George Martin que trabalhava para a EMI não estava satisfeito com as habilidades do Pete Best como baterista. John, não pensou duas vezes, mandando o próprio empresário, Brian Epstein demiti-lo. Enquanto isto o próprio John saiu correndo para convidar Ringo Starr. John tinha conhecido Ringo em Hamburgo. Conta-se que Pete Best tinha muitos fãs em Liverpool e os fãs ficaram furiosos. Outras biografias dizem que a decisão de demitir o baterista não foi só do John e que Paul e George também eram amigos do Ringo. De qualquer forma, a formação final dos Beatles estava completa.

Neste período aconteceu uma outra grande mudança na vida pessoal do John. Cynthia ficou grávida e no dia 23 de agosto os dois casaram-se em Liverpool. Este casamento foi, na época, mantido em sigilo para não afetar a popularidade da banda que contava com uma legião de fãs ciumentas.

Em outubro de 1962, Os Beatles já tinham lançado um disco e estavam para aparecer pela primeira vez em Londres num programa de TV mas, a banda ainda era uma completa desconhecida fora de Merseyside, a região que incluía a cidade de Liverpool. Durante 1963 a banda trabalhou pesado fazendo 3 tournées pela Inglaterra, duas tournées pela Escócia, uma tournée pequena pela Suécia além de, inúmeros shows individuais. Eles lançaram dois LPs, três EPs e quatro compactos. Fizeram muitas gravações para TV e rádio além de participarem de inúmeras entrevistas e sessões fotográficas. O segundo compacto foi lançado no começo de 1963 e depois de uma subida rápida chegou ao primeiro lugar em fevereiro daquele ano. Naquela época a banda estava em tournée abrindo para Helen Shapiro mas, lentamente Os Beatles passaram a ser a atração principal. O próximo mês trouxe mais felicidade para John Lennon pois, Cynthia deu a luz ao seu filho John Charles Julian.

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John e Cynthia esperando para embarcar no avião. John tinha o maior medo de andar de avião e geralmente compensava a sua tensão fazendo brincadeiras e dando uma de palhaço durante os vôos.

Com uma agenda de shows tão desgastante, John precisava desesperadamente dar uma parada para descansar mas, Cynthia estava muito ocupada com o recém nascido. Então, Brian Epstein convidou John Lennon para umas férias na Espanha e ele rapidamente aceitou. Muita gente acha que John agiu de forma totalmente inocente mas, como Epstein era homossexual, boatos surgiram por todos os lados questionando a sexualidade do John. A coisa explodiu na festa de 20 anos do Paul McCartney no Cavern Club quando o DJ Bob Wooler fez um comentário malicioso sobre as férias do John com Eptein na Espanha. John imediatamente atacou o DJ mandando-o para o hospital com um olho roxo e umas costelas machucadas. Esta briga, no Reino Unido, virou capa dos jornais. Particularmente John Lennon não se arrependeu porque achou que o DJ Bob Wooler tinha procurado encrenca. Publicamente, John foi rápido em se desculpar...

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Paul e John já ajustadinhos com seus novos penteados e os famosos terninhos. Depois de muita luta eles começaram sentir o sabor do sucesso com o lançamento do seu primeiro compacto "Love Me Do".

Em outubro de 1963 uma aparição dos Beatles numa rede de TV, no programa Sunday Night no London Palladium do Val Parnell levou uma legião de fãs histéricas fora do teatro em Londres. Teatro este que normalmente era muito tranqüilo. Este acontecimento despertou a atenção da imprensa e daí então a Beatlemania tomou conta do Reino Unido.

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Durante as primeiras apresentações dos Beatles era comum ver John e Paul usando o mesmo microfone para fazerem as harmonizações vocais que, acabariam sendo uma das características marcantes da banda.

Algumas semanas depois, quando John, Paul, George e Ringo desembarcaram no aeroporto de Heatrow vindos de uma pequena tournée na Suécia, eles ficaram chocados de ver milhares de fãs, no aeroporto, na chuva, esperando-os para dar as boas vindas.

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A Beatlemania toma conta e a banda tem que disfarçar-se de policiais para poder sair do teatro em Birmingham.

Lá pelo final de 1963, Os Beatles foram convidados para aparecer no The Royal Variety Performance que é um evento de gala presenciado pela família real cuja renda é doada para o Entertainment Artistes' Benevolent Fund. Este fundo de caridade tem a rainha como patrona. John Lennon estava determinado a dar uma esnobada na realeza e fez a sua famosa fala irreverente: “O povo nos lugares mais baratos baterão palmas? O resto de vocês só balancem, as jóias!” O ano fechou com John e Paul sendo descritos pelo jornal The Times como “os compositores ingleses excepcionais de 1963”.

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Nesta foto, durante uma apresentação John Lennon toma a posição central. Normalmente John Lennon e Paul McCratney dividiam a parte vocal mas, a verdade é que Lennon nunca gostou do som da sua vóz nas gravações e sempre procurava disfarça-la com efeitos especiais.

Desde o começo, John e Paul tinham concordado entre eles que não importa quem escrevesse, todas as músicas teriam os nomes de Lennon-McCartney como compositores. Nenhum dos dois tinha idéia de como esta decisão ganharia importância no futuro.

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