EL MAGO DA GUYTARRA, JIMI HENDRIX POR SHARON LAWRENCE (BREVE)

 

 "Preciosidade: ouvir Jimi Hendrix quando a raiva está presente. Fica fácil canalizá-la ou sublima-la rumo à força de trabalho artístico ou teórico". (Alves Silveira, Sandro)

 

Pete Townshend fala de Jimi Hendrix

Jimi Hendrix Estate Sues Hendrix’s Brother for Copyright Infringement
By Dave Lifton  / http://ultimateclassicrock.com/jimi-hendrix-brother-lawsuit/

16 mar. / 2017 - Once again, members of Jimi Hendrix‘s family find themselves on opposite sides of a fight for the rights to his name. Today (March 16), the company owned by Hendrix’s estate filed suit in U.S. District Court for the Southern District of New York against Jimi’s brother Leon, and Andrew Pitsicalis, disputing the use of trademarks and copyrights that they don’t own.

A press release from Experience Hendrix, LLC and Authentic Hendrix, LLC states that Leon and Pitsicalis, through their Purple Haze Properties, LLC, “have attempted to hijack trademarks and copyrights for their own personal gain.” They’ve done this “through the creation, development, manufacturing, promotion, advertising and sale of cannabis, edibles, food, wine, alcohol, ‘medicines,’ electronic products and other goods.”

This is the newest round in a battle that began in 2004, when a judge shut Leon Hendrix out of the family business. Since 2008, Leon and/or Pitsicalis have lost many other court cases stemming from various attempts to create Jimi Hendrix-themed merchandise – most recently in 2016, after Leon’s Purple Haze Liqueur unlawfully used the word “Jimi” and a replication of Jimi’s signature on its bottle. A year prior, Pitsicalis was prohibited from using trademarks owned by Jimi’s estate; a ruling stated that he could not register the name “Jimi” or “Jimi Jams,” due to its connection with the legendary guitarist.

Back in 1995, control over Jimi Hendrix’s estate was officially granted to Hendrix’s father, Al. Since 2002, when Al died, the companies owned by the estate have been run by Jimi’s adopted sister, Janie.


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Jimi Hendrix: ele não teve tratamento médico adequado, diz Uli Jon Roth

Por Igor Miranda / whiplash

24 fev. / 2017 - O guitarrista Uli Jon Roth disse, em entrevista ao Metal Voice, que Jimi Hendrix poderia ter sobrevivido se tivesse recebido um tratamento médico adequado. Hendrix morreu em 18 de setembro de 1970, aos 27 anos, vítima de uma overdose de remédios barbitúricos, misturados com álcool.

 

Foto raras de Hendix / Arte Sonora, 8 mai. / 2014

 

pastor

hendrix vodca

Família de Hendrix processa marca de vodca
g1.globo.com / Da Associated Press

Bebida chamada Hendrix Electric Vodka traz rosto e assinatura do guitarrista no rótulo. 
Irmã diz que uso do nome de Hendrix em bebida alcoólica é "piada nojenta".

7 mar. / 2007 - A família de Jimi Hendrix entrou com um processo nesta terça-feira, nos EUA, contra uma marca de vodca que usa o nome da lenda da guitarra em seu rótulo.

A família alega que as empresas de Craig Dieffenbach usaram material de marca registrada na comercialização da bebida Hendrix Electric Vodka e em outros produtos.

Janie Hendrix, irmã adotiva do astro, e o diretor executivo da empresa da família, a Experience Hendrix, disseram que a campanha de promoção da bebida foi uma "piada nojenta", já que a morte de Hendrix, em 1970, tem a ver com consumo de álcool.

"Estamos muito preocupados porque pode haver o entendimento de que a Experience Hendrix autorizou a venda desta vodca", declarou Janie nesta terça. "Segundo uma política muito clara de nossa empresa, nunca promovemos nenhuma bebida alcoólica".

A vodca Hendrix Electric vem em garrafas roxas que trazem, no rótulo, o rosto de Jimi Hendrix e sua assinatura.

O empresário Dieffenbach disse que o processo não tem fundamento legal porque a Justiça norte-americana determinou, em 2005, que a Experience Hendrix não detém os direitos sobre o nome e a imagem do guitarrista - somente os direitos sobre suas músicas.

 

Irmão de Hendrix irritado com meia-irmã
Traduzido por Guilherme Carvalho

 9 mar. / 2007 - A KSBI-TV disse em reportagem que Leon Hendrix, irmão de JIMI HENDRIX e um dos proprietários da Electric Hendrix, LLC, a companhia responsável pela Hendrix Electric Vodka, afirmou que está “chocado e triste” porque sua meia-irmã adotiva Janie Hendrix está enganando o público ao dizer que as empresas dela são as companhias “oficiais” da família Hendrix.

De acordo com Leon, os pedidos da Authentic Hendrix e da Experience Hendrix, as companhias de Janie, já foram rejeitados pela corte distrital do juiz Thomas Zilly do distrito oeste de Washington.

Em resposta à declaração de Janie de que a Hendrix Electric Vodka é uma “piada de mal gosto”, Leon disse: “A verdadeira piada de mal gosto é Janie Hendrix enganando o público afirmando que as suas companhias são da família Hendrix. Janie só encontrou Jimi uma vez quando ela tinha nove anos, e ela não tem nenhuma ligação de sangue com Jimi ou comigo. A verdade é que há somente uma pessoa ligada a Jimi e a mim na companhia dela enquanto muitos de nosso parentes de sangue vivem em circunstâncias ruins e quase na miséria nas áreas pobres de Seattle.”

JIMI HENDRIX morreu de overdose em 1970 depois de ingerir pílulas para dormir. As companhias de Janie Hendrix licenciaram um “Vinho Tinto Jimi Hendrix” e também cuecas, fraldas, purificadores de ar e uma bebida energética.

hendrix art

Pinturas raras de Jimi Hendrix encontradas
whiplash.net
11 mar. / 2007 - JIMI HENDRIX também se expressava como pintor e desenhista. Pinturas atribuídas a Hendrix foram descobertas pelo roadie James "Tappy" Wright, que as colocou em exposição na loja de música de um amigo. Tappy, 63 anos, fez parte de uma equipe londrina que acompanhava Hendrix em tours, inicialmente pela Inglaterra, e depois por outras partes do mundo. Segundo Tappy: "Jimi fazia duas coisas enquanto viajava: ou escrevia músicas, ou pintava e desenhava."

 Jimi's Art


Irmão de Jimi Hendrix perde ação na justiça

Por Yuri Leite - Whiplash

25 jul. / 2006 - O Seattle Times noticiou que uma corte de apelo estadual manteve nesta segunda-feira (24 de Julho) a decisão de uma corte anterior que negava ao irmão de JIMI HENDRIX uma parte da fortuna do lendário guitarrista.

Leon Hendrix tinha apelado de uma decisão de 2004 da King County Superior Court que determinava que ele não tinha conseguido provar que a sua irmã adotiva, Janie Hendrix, havia injustamente influenciado seu pai para que o retirasse do testamento.

Jimi Hendrix morreu sem deixar um testamento em 1970 e seus bens e direitos à sua música foram deixados para seu pai, Al Hendrix, de Seattle.

Quando ele morreu em 2002, o mais velho Hendrix deixou a maior parte dos bens para a sua filha adotiva, Janie Hendrix, e apenas um disco de ouro para Leon, que entrou com o processo — que gerou uma disputa com alegações de abuso de drogas, ganância e adultério — contra Janie por uma parcela dos 80 milhões de dólares em bens, valor estimado do patrimônio do guitarrista.

Casa de Jimi Hendrix será recuperada
O Estado de S. Paulo - Ansa

Abrigo de sem-teto, a casa do lendário guitarrista do rock and roll, que morreu em 1970, agora será biblioteca infantil


hendrix irmao
Jimi Hendrix (à esquerda) aos 8 anos com o irmão Leon

14 set. / 2005 - Washington - A casa em Seattle onde Jimi Hendrix passou sua infância foi transportada por 30 km e instalada ao lado do cemitério onde o músico está enterrado. Jimi Hendrix, o lendário guitarrista do rock and roll, morreu em 1970. 

A iniciativa partiu de uma fundação de fãs de Hendrix, depois que a casa de dois quartos onde ele viveu de 1953 a 1956, com seu irmão Leon e seus pais, já havia sido movida de seu local original e levada a um espaço cedido pela prefeitura de Seattle. Mas a casa se transformou em abrigo de sem-teto.
O espaço vai ser transformado em uma biblioteca para crianças.



Filme perdido de show de Jimi Hendrix é resgatado por TV sueca

 da France Presse, em Estocolmo/ Folha de S. Paulo

20 set. / 2004 - A TV pública sueca SVT encontrou por acaso em seus arquivos um filme original de um concerto de 1969 de Jimi Hendrix em Estocolmo, informou hoje uma fonte da emissora.

"É um documento histórico fantástico... um verdadeiro achado", disse o arquivista da SVT, Bjoern Karlin.

O filme, em preto e branco, tem menos de uma hora de duração. Foi gravado em 9 de janeiro de 1969 na casa de concertos Konserthust, em Estocolmo, para um programa de música pop chamado "Nummer 9". Dez minutos do filme foram exibidos na TV no dia 21 de janeiro daquele ano.

O filme mostra o lendário guitarrista americano, acompanhado por Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria, numa apresentação que ele dedicou aos soldados americanos que se recusaram a servir no Vietnã, antes de interpretar sucessos como "Spanish Castle Magic" e "All Along the Watchtower".

"Jimi Hendrix já era um astro, mas não ao nível que é considerado hoje, e eles [os técnicos encarregados na época] tentaram apagar a fita para reutilizá-la", disse Karlin.

Um funcionário da SVT pediu para assistir a fita antes que fosse apagada, mas a colocou --e esqueceu-- numa gaveta onde os técnicos colocavam trechos de filmes e programas, junto com episódios de Tom & Jerry para assistir nos intervalos.

Só quando a SVT começou a limpar seus arquivos, neste ano, o filme foi redescoberto, ainda em bom estado, segundo Karlin.

O filme agora foi digitalizado e entregue aos produtores de programação, que decidirão a forma de usá-lo.


 
Corpo de Jimi Hendrix é colocado em um memorial

Portal Virgula

12 mar. / 2003 - O corpo de Jimi Hendrix foi exumado e recolocado numa cúpula de mármore gigante, que faz parte do memorial localizado no cemitério de Renton, aos arredores de Seattle.
Seu irmão Leon, que estava tendo uma rixa com a também irmã do cantor Janie, não foi comunicado da transferência e continuava a visitar uma tumba vazia, sem imaginar que o corpo de Jimi havia mudado de lugar.
A morte do cantor aconteceu em 1970 e ele era conhecido por sua distorção virtuosa da guitarra elétrica. A transaferência ocorreu em novembro do ano passado, um dia antes da data em que Hendrix comemoraria 60 anos.
O novo memorial terá bancos para os visitantes e uma escultura de bronze em tamanho natural, feita na Itália, que chegará em breve.
Os restos mortais do pai de Jimi e de sua madrasta Ayaki ‘June’ Hendrix também foram colocados no memorial. As cinzas sua avó Nora se juntará a eles mais tarde.


Jimi Hendrix (re) legado para a fama

(Mário Pazcheco)

James Marshall Hendrix, Seattle/Washington/USA
27 nov. / 1945 - 18 set. / 1970
III Milênio ano XXXIII de sua morte

 "Sirva a estampa da figura ao lado, de advertência ao caro leitor, destinado à mesma sorte de ruína e destruição do grande guitarrista" — dizia o verbo escarnado do folhetim evangélico

Jimi Hendrix sempre à frente sem escoltas/amarras abrindo caminho para o palco - atrás dele milhares o seguindo, nisso ele me lembra outro canhoto de Seattle... A passagem de Hendrix equivale a uma reunião dos chefes da 'cosanostra', do G7.

No palco, ele brande e estraçalha a guitarra - insinuosamente a toca com a ponta da língua bota fogo futebol clube e atira os restos para a platéia que entrega a guitarra chamuscada a Frank Zappa.

Em Londres "come" as mulheres dos Rolling Stones que não gostam nada disso... Paul McCartney curte o volume da sua guitarra e ele volta a Monterey.

Jimi Hendrix surgiu para mim numa nuvem púrpura acompanhado por um cortejo sinistro de hippies no início do filme 'Woodstock' que precocemente enterrava a contracultura ou em outro documentário: 'Rainbow Bridge' onde também aparece uma comuna hippie genuinamente interplanetária baseada em sua guitarra e; como diria Rita Lee, "um momento que eu vou ali beijar o céu".

A discografia nacional eram 4/5 LPs parcamente prensados e conservados e lançados aqui em grande profusão desde que Hendrix morreu! A música de Hendrix foi a trilha sonora do desbunde da cosmococa de Neville e Hélio... O último LP clássico nacional mutilado pois nunca saiam com capa dupla ou o verso da capa do LP era preto e branco se chamava "A Arte de Jimi Hendrix..." um dos pré-requisitos para a entrada na UVA era ouvir/ter discos de Hendrix. E Joelzinho incurável tocador de discos de Hendrix falou do primeiro disco do Pink Floyd - não tínhamos cabeça para aquela viagem"... Mas é claro que tínhamos sua cabeleira seu bigode suas mulheres brancas seus descaminhos/desatinos

Caetano Veloso em texto no Pasquim na hora da agonia da morte de Hendrix interpela os editores dos meios de comunicação nacionais - quais foram as manchetes da morte de Hendrix? Aqui em Londres: "Jimi Hendrix dies aged twenty four (sic): drug overdose". Taí no "Standard" a origem dos textos dos santinhos evangélicos...

No dia 18 de setembro de 1970, Big Boy, o maior radialista do Brasil, não segurou a emoção e chorou no ar. Big Boy sabia que o véu de Cecília fora levantado...

"Eu tenho um beija-flor que canta/ tão alto que faz você pensar que/ está enlouquecendo".

Rogério Sganzerla incluiu In from the storm no filnal de seu filme "Abismú" e ainda fez outro documentário de Hendrix: "Mutações", que eu cheguei atrasado para assistir porque Luiz Ricardo Muniz passou uma hora no banheiro...
Ana Maria Bahiana escreveu 'Rock, a história e a glória' número 6, Jimi Hendrix e mais tarde Jimi Hendrix: Domador de raios.
Augusto de Campos verteu 'Little Wing" para o português, Asa Linda, foi gravada por Tiago Araripe. Pepeu Gomes (Todo amor ao Jimi)/Sérgio Dias/ Sergio Bandeyra incorporaram o espírito e prestaram belas 'showmenagens'.
Lanny Gordon e Messias de Oliveira Jr são/foram mestres da música sem métrica das esferas.
Em Brasília, Haroldinho Mattos, Kiko Perez, Rodrigo Terra, o duo Celso Salim e Dillo D'Araújo são tocadores de Jimi Hendrix percorrendo o território nacional e derramando as águas lamacentas.
Robert Crumb o caricaturista do gênero ilustrou o martírio das drogas na cabeça de Hendrix - ainda ontem recebi um santinho com a sua cara marota e imberbe, drogas - um paraíso?

Desde que os novos acordos foram firmados novos discos são lançados, o último?
Em maio último, Noel Redding também morreu sem receber sua parte nos direitos de vendas dos discos.

Não que eu seja o Mathusalem do roquenrou mas meus contos/fragmentos reminescências/entrevistas vivem mais quando eu relato as minhas e as experiências dos outros desde que legítimas - alguém acredita?

Buddy Miles processa o espólio de Hendrix e gravadoras
(Mário Pazcheco)

Enquanto desconhecido, em 1965, Jimi Hendrix assinou um contrato de uma página para criar um álbum para Ed Chalpin, diretor do selo independente PPX.

2003 - O baterista Buddy Miles está processando em milhões de dólares o espólio de Jimi Hendrix e as gravadoras Experience Hendrix LLC, Authentic Hendrix LLC, Dagger Records, MCA Records, Universal Music and Video Distribution, Capitol Records, EMI Records e Warner Bros Records, cobrando direitos autorais de suas colaborações com o guitarrista há mais de 30 anos. O baterista de 56 anos, que participou do grupo Band of Gypsies, de Hendrix, disse no processo aberto a (2001), na Corte Superior de Los Angeles, que não recebeu dinheiro por seu trabalho. A Band of Gypsies foi formada em 1969 e Miles saiu dela um ano mais tarde. O baterista alega que suas colaborações resultaram em 38 músicas, entre co-autorias e participações, incluindo os clássicos "Rainy day dream away", "Vodoo child" e "Machine gun". "Buddy ajudou Jimi a escrever músicas ao longo de sua amizade e parceria", disse Brenton Horner, advogado de Miles. A meia-irmã do guitarrista, Janie Hendrix, que detém os direitos da obra dele e comanda a Experience Hendrix, não quis comentar o assunto, a exemplo das gravadoras também acusadas no processo. Hendrix, Miles e o baixista Billy Cox formaram a Band of Gypsies, uma das primeiras bandas de rock formadas apenas por negros, para honrar o compromisso do guitarrista para com a PPX, segundo diz o processo. Horner afirmou que havia um "acordo verbal" entre Miles e Hendrix de que eles iriam dividir os lucros das canções, mas a relação profissional deles acabou esfriando. O advogado contou que Miles deixou a banda depois que o empresário de Hendrix, Mike Jeffery boicotou uma apresentação no Madison Square Garden, a 28 de janeiro de 1970, ao fazer Hendrix tomar LSD antes do show, deixando-o impossibilitado de tocar. O show durou apenas duas músicas, no segundo número, um Hendrix nervoso e irritado falou à plateia: "Não estamos tocando nada bem, acho que não vai dar para tocar". Houve um silêncio mortal. Depois, todos se levantaram e foram embora. Mitch Mitchell e Noel Redding estavam no backstage porque iriam entrar pra fazer uma jam com os Gypisies. Jeffery que também estava lá deu um ácido a Hendrix, e ele pirou em pleno palco, dizendo pra uma garota na platéia: "Você está menstruada? Eu posso ver através das suas bermudas". O choque de ter dito isso fez com que ele se tocasse. Nos bastidores, Hendrix quebrou sua guitarra escondido. De raiva. Por outro lado, Hendrix, que recentemente foi considerado o melhor guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stone, vai virar brinquedo. A empresa Mcfarlane Toys irá produzir um boneco dele com base na performance do músico no lendário festival de Woodstock, em 1969.

O lançamento do mini-Hendrix vai rolar em novembro, coincidindo com o que seria o aniversário de 61 anos do guitarrista, no dia 27.

 jimi hendrix lps

 A história da vida (Mário Pazcheco) - 1995

Sexo de Hendrix na Europa - Correio Braziliense, 2 out. / 1995

Carta aberta a James Marshall Hendrix (1985) 
(Mário Pazcheco*)

Neste ano você completaria 43 anos, se estivesse aqui. Mas eles não permitiram! Apesar disso eles não esquecerão de lembrar os 15 anos da sua partida. Ninguém pode perder essa chance de embolsar mais alguns milhões de dólares em cima da sua memória.
15 anos hein??? Parece que foi ontem que você lançou o Are You Experienced?. Quinze longos anos e nada de novo pintou. Em matéria de guitarra, Jimi você ainda é o novo e o maior.
Ouvi com carinho o seu recente Kiss The Sky...
— Recente? Sim Jimi! Aqui na Terra todos os anos lançam discos seus oficiais ou não, mas nem sempre todos tem a genialidade dos primeiros.
Nesse até a voz do velho Brian Jones aparece te apresentando no Monterrey Pop, vê se não esquece de dar um abraço no Brian, e diz pra ele que os Stones, só duram mais esse ano.
Ano passado um tal de Prince, escreveu uma canção: "Purple Rain" (que semelhança com "Purple Haze"!), tirou do guarda-roupa aquele velho hussardo de cetim, empunhou uma guitarra, deu um jeito no visual e imitou descaradamente o seu vocal, resultado: emplacou e até recebeu o Oscar, mas não fica só nisso não.
Um bando de esquisitos regravou a sua "Are You Experienced?", chegando ao cúmulo de incluir em seu vídeo-clip, um sósia seu saindo de um caixão e tentando solar como você, que coisa esquisita, o nome dos bastardos é DEVO. Se você ouvisse a canção não a reconheceria.
Já, Stevie Ray Vaughan que segundo a revista Guitar Player têm sido o melhor guitarrista de blues de 1983 e 1984, recriou a sua "Voodoo Chile" (Slight return), ficou até legal, mas não atingiu a beleza e originalidade da sua versão.
Suas músicas ainda são incluídas em trilhas sonoras de filmes e falando em filmes, esse ano deve pintar mais um filme sobre a sua vida, pois existem vários projetos. Como se vê ninguém te esquece ne o deixa em paz.
Mas ninguém ainda conseguiu provar que a sua morte e a morte da querida Janis foram planejadas e executadas pelos agentes da CIA. Por causa das influências que vocês tinham em nossas vidas. Mas um dia eles ainda conseguirão provar...
Bye Jimi, beijos pra Janis e aquele abraço. Mário Pazcheco

Eu sou tantas raças... como poderia tocar uma música... como poderia trair uma dessas raças, se eu sou todas elas ao mesmo tempo? Tenho pensado muito sobre o futuro, sobre essa era em declínio. Mas não quero acabar, quero continuar, vá para onde for o futuro”. Jimi Hendrix, o gênio total

*PUBLICADO NO FANZINE ‘ROCK’N’ROLL NEWS - YARDBIRDS AND ALL STARS… 30 jun. / 1985. GUARÁ ROCK CITY-DF.

Mutação de Hendrix
(Manel Henriques - 1981*)

Filme inédito de Rogério Sganzerla, estréia hoje, às 20 horas no Galpãozinho. Colagem das diversas apresentações do guitarrista.

No dia 18 de setembro de 1970 morria Jimi Hendrix. As circunstâncias de sua morte nunca foram devidamente esclarecidas. A alquimia dos decretadores oficiasis de causa-mortis sentenciou uma overdose duvidosa. Pouco mais de uma ano antes, em julho de 69, morria Brian Jones, dos Stones, na piscina de sua casa em Hartfield, Sussex. Em seu funeral, foi lido o epitáfio que escolhera: "Por favor, não me julguem com severidade" (Please don't judge me too harshly).
Brian era uma pessoa frágil, um músico de extrema sensibilidade (Keith Richards conta como, certa vez, deixaram Brian sozinho no estúdio por algum tempo e, quando voltaram, descobriram-no tocando uma cítara, instrumento que nunca tinha colocado nas mãos), norteado por um desejo intenso de agradar as pessoas. Morto aos 26 anos, viveu atormentado por esse sentimento, que impossibilitou sua permanência na liderança dos Rolling Stones e seu gradual e paulatino afastamento dos palcos.

O jornalista Al Aronowitz, amigo pessoal de Brian, escreveu par ao New York Post um perfil do guitarrista, onde transparece toda a sua insegurança. Conta, por exemplo, como Brian ficava nervoso quando tocava com Bob Dylan. Numa festa dada pelos Stones no Hilton de Nova York, Dylan apareceu com Robbie Robertson, o guitarrista do grupo The Band, que mais tempo ficou com Dylan. "Bob sentou-se ao piano, Robbie pegou a guitarra, Brian a harmônica. Ele tocou aquela gaita comt anta força que, quando parou, descobriu que estava sangrando. Bob deu um sorriso e falou para Jones — Não seja paranóico, Brian".
Brian Jones, em sua fragilidade, foi também um homem que, como Hendrix, viveu marcado por um forte sentimento de justiça. Escreveu Aronowitz: "Uma das primeiras coisas que Brian me contou dizia respeito a uma visão que tivera em Londres numa madrugada - o rosto de uma deusa que se desenhou no céu, conclamando-o a trabalhar para o Bem da humanidade". A crença na importância dessa missão, e a impotência real que sentia para empreendê-la foi, possivelmente, uma das maiores fontes de tormento para o guitarrista.

Se Brian, em suas últimas palavras, pediu compreensão às pessoas, Hendrix, como um poeta que sabia que seus versos extrapolariam as fronteiras de seu tempo, erguia como palavra de ordem para a sua trajetória — Eu não vivo hoje. Talvez amanhã. (I don't live today. May be tomorrow). A figura trovadoresca de Brian, Hendrix anunciava imagens curtas - cortantes, estocadas eletrizantes. A abundância metafórica e algo rebuscada de "Citadel" (faixa do LP Her Majesties Satanic Request, de inspiração hendrixiana), Jimi apresentava a rispidez e concisão de ideogramas eletrificados a todo volume.

No pouco tempo que separou as primeiras aparições de Jimi no Marquee até o Festival de Wight, o guitarrista construiu um roteiro, um painel das preocupações, um mapeamento de vontades da juventude do seu tempo só comparável, talvez, ao impacto causado por Bob Dylan, no começo da década de 60. E, se a obra de Dylan, nos últimos tempos, tem se mostrado facilmente digerível e assimilável pelo 'status quo', alinhando altos e baixos, o trabalho de Hendrix mostra-se como um 'continuum' ascendente, como uma verticalíssima trajetória de um meteoro catapultado do chão diretmente para as estrelas.

Hendrix, mais do que qualquer outro músico da época, soube colocar seu trabalho na luta contra o mito da consciência objetiva. A racionalidade rasa que proclamava aos 7 mares o predomínio do funcional na mente humana, Hendrix descortinou universos povoados de esquinas insuspeitadas. Enquanto Graham Nash cantava em "Chicago" faixa do álbum "Songs for beginners", entre lírico e irado — We can change the world (Nós podemos mudar o mundo), Hendrix deixava de lado as condicionais e realizava com alegria e força a Celebração da Revolução.

Rogério Sganzerla, que, sobre uma evocação de Hendrix, realizou em 1977 O Abismo, um filme "aberto" para cima, apresenta agora uma colagem que registra diversos momentos da carreira de Jimi Hendrix Mutação deve ser visto não como um mero documentário, ajuntamento de cenas de apresentações do guitarrista colhidas aqui e ali, mas sim como produção de um cineasta que compartilha com Hendrix muitas idéias e convicções, que faz do seu cinema um instrumento de desvendamento dos véus opacos que obliteram a vista.

Em artigo recente, Sganzerla fala da importância de Hendrix: "Fora das habituais estruturas mentais, contra tudo e contra todos, Jimi ataca de frente o problema (da arte contemporânea - política); da linguagem, da mente que se volta a si mesmo e, pesquisando-se, descobre-se sem medo. (...) Sem revolução mental não há conseqüentes coletivos. Hendrix diz tudo sobre tudo".

Jimi Hendrix no Galpãozinho (1981)*


Jimi Hendrix, um filme sobre o maior guitarrista que o mundo conheceu, será exibido a partir de hoje, até o dia 23, às 20 horas, no Teatro Galpãozinho. E aos sábados e domingos haverá sessão extra, às 18 horas.

O filme é o primeiro documentário cinematográficos que chega ao Brasil sobre o genial músico canhoto do noroeste dos Estados Unidos e mostra Hendrix em praticmaente todos os momentos importantes de sua curta e intensamente criativa carreira. Desde sua participação no badalado Montrey Pop Festival (de 1967) onde fez uma apresentação que o consagrou (roubando o show dos astros convidados como The Who, Janis Joplin e The Animals, entre outros) tirando-o da condição de músico numa posição de semianonimato para torná-lo a estrela máxima do cenário Pop, até o concerto final no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, em 1970, poucos dias antes de morrer.

O filme foi descoberto no Rio de Janeiro, nunca foi exibido e a trilha sonora está gravada na própria película, em banda magnética, possiblitando uma reprodução fiel do som das apresentações de Hendrix, que ficará a cargo do conhecido sonoplasta Pardal.

Trata-se de uma verdadeira preciosidade cultural, não apenas pelo regisrtro em si da vida do músico, como porque registra visual e sonroamente tdoas as mutações sofridas pelo guitarrista ao longo de sua trajetória criadora.

Na trilha sonora, estão desde músicas do primeiro LP de Hendrix (Are you experienced?) gravado em 1967 até suas composições revisionistas em cima do blues tradicional, em Wight, pasando por sucesos conhecidos como Hey Joe, Purple Haze e a extrordinária versão pessoal da famosa Like a rolling stone de Bob Dylan (por cujo modo de cantar Hendrix nunca negou admiração). Um filme realmente para todas as idades e par atodo tipo de público, crianças, velhos adolescentes, especialistas, fãs fanáticos ou simples curiosos.

Jimi Hendrix nasceu em 1944, em Seattle, uma cidade do estado de Washington. Filho de índia e de negro, o mestiço James Marshall Hendrix ganhou sua primeira guitarra aos 12 anos, desde então nunca parou de tocar, sempre experimentando a spossiblidades inéditas do instrumento. E é essa experimentação permanente que vai marcar sua carreira, iniciada profissionalmente em 1966, após ter tocado em bandas de vários nomes famosos, quando o baixista do grupo The Animals decide mudar de profissão e passa a ser empresário de Hendrix, após ouví-lo tocar num clube noturno de Nova York, freqüentado por astros da época como os Stones e Lennon & McCartney, exclusivamente para ouvir Hendrix.

Os dois se mandaram para Londres, onde Jimi Hendrix se afirma no movimento underground britânico, onde "pintavam" feras como Eric Clapton, Jeff Beck e Pete Townshend, a esta altura já quse "macacas de auditório" do genial mestiço. Grava em seguida o LP "Experienced" (nome também de seu primeiro grupo, Experience; com Mitch Mitchel na bateria e Noel Redding no contrabaixo) e começa a escalada do sucesso, encerrada em setembro de 1970, quando Hendrix morre, logo após o concerto da ilha de Wight, deixando atrás de si seis disco originais, além dos álbuns póstumos e piratas e um estoque de fitas inéditas nos estúdios Electric Ladyland. Um dos mais ricos legados da música contemporânea. Aproveitem.

*CORREIO BRAZILIENSE, 13 ago. / 1981. VARIEDADES. AUTOR?

Retiro Espiritual (Rogério Sganzerla) - Folha de S. Paulo, 29 dez. / 1980

Jimi, gênio total (Rogério Sganzerla) - Folha de S. Paulo, 11 ago. / 1980

lendo hendrix

A herança de Jimi Hendrix
(Revista Música / – 1978. Rafael Varela Jr. Autor?)

Nas primeiras horas do dia 18 de setembro de 1970, Jimi Hendrix voltou para o apartamento de Monika Danneman, sua companheira naqueles dias, comeu um sanduíche de atum que ela lhe fez, escreveu um poema, e tomou quase que um vidro inteiro de Quinalbarbitone para dormir. Pela manhã estava morto, através de asfixia motivada por inalação de vômito. Causa da morte: intoxicação por ingestão excessiva de barbitúricos. O poema, chamado A História da vida, dizia o seguinte: “A história / da vida é mais rápida / do que um piscar de olhos / a história do amor / é alô e até logo / até que nos encontremos outras vez”. Três dias depois, o cantor Eric Burdon apareceu diante das câmeras da BBC com esse poema nas mãos, apresentando-o como uma nota de suicídio. Mais tarde, como qualquer um pode averiguar lendo as letras de Hendrix, o próprio Eric Burdon concordou que existe pelo menos uma dezena de músicas do guitarrista que poderiam ser apresentadas como uma nota de suicídio. De qualquer forma, o laudo policial considerou insuficientes as evidências, deixando o veredicto “em aberto” Hendrix já havia afirmado “é muito engraçada a maneira como as pessoas amam a morte. Uma vez morto, você esta ‘feito’ para a vida”.

Oito anos depois, o que restou foram quatro documentários filmados (sendo que o único exibido no Brasil nunca pôde ser visto nos cinemas, e é apresentado periodicamente pela Tv Bandeirantes sem aviso prévio); seis livros, uma revista publicada regularmente na Europa; um número incontável de butiques e discotheques chamadas Foxy Lady (uma de suas músicas mais significativas); oito álbuns da Warner; 49 discos piratas (de qualidade); dois arquivos, um em Seattle (sua cidade natal) e outro em Amsterdam; um frustrado Jimi Hendrix Memorial Foundation, também em Seattle; e milhares de posters, adereços, camisetas, botões, bustos etc., a mioria não-autorizada. E, acima de tudo, 165 ações envolvendo o dinheiro que deixou, assifm como o de Michael Jeffrey, seu empresário falecido em 1973.

Al Hendrix, seu pai, recebeu em 1970 apenas 20 mil dólares (o que Jimi levava em seus bolsos) e algumas roupas e guitarras. Um mês após a morte de Hendrix, Al foi procurado por alguns advogados de Seattle que decidiram criar a Memorial Foundation. Menos de seis meses depois, fugiram com todo o dinheiro arrecadado em quatro shows e na filiação de sócios que pagavam, cada um, de dez a vinte dólares. E, somente a partir de 1975, Al começou a receber, mesmo assim muito menos do que o esperado, sendo que hoje é proprietário do Electric Lady, o estúdio construído por seu filho, em New York.

Os principais nomes ligados a essa mórbida corrida do ouro são os de Jack Hammer, um antigo amigo de Hendrix, compositor da histórica “Great balls of fire”, que na realidade de seu sósia, quase perfeito, escreveu e pretende estrelar na Broadway The Jimi Hendrix Story; Alan Douglas, um experimentado produtor que encontrou 800 horas de fita, as quais remixou adicionando músicos de estúdio e vocais suplementares, lançando os discos Crash Landing, Midnight Lightning e Freedom (as fitas com John McLaughlin, provavelmente nunca sairão pois John não autoriza); Noel Redding e Mitch Mitchell, respectivamente baixista e baterista do “Experience”, que reclamam cerca de 400 mil dólares em direitos atrasados; e, finalmente, o principal deles, Ed Chalpin, o primeiro agente de Jimi ainda nos Estados Unidos. Sua saga iniciou-se um mês após o lançamento de Are you experienced?, o primeiro elepê do trio, e quando Hendrix morreu, Chalpin já havia lançado e relançado 14 elepês onde o guitarrista participava como acompanhante de um obscuro cantor, Curtis Knight, e recebia 2% do dinheiro arrecadado pelos três primeiros discos (Experienced, Axis: Bold as love e Electric Ladyland) e todos os lucros de Band of Gypsies. Para que se tenha uma ideia das ações de Chalpin, basta citar que, em 69, o empresário Michael Jeffrey fez com que Hendrix assinasse um papel insentando-o e indenizando-o por todos os futuros processos que o guitarrista pudesse sofrer na Grã-Bretanha.

Para completar, a Yameta Trust Co., firma que se acreditava ter sido criada por Jeffrey, para controlar todos os direitos em discos de Jimi, era fachada de algo muito maior e nunca produziu um “royalty” sequer, embora eles estivessem entrando aos borbotões. Na verdade, nunca se soube o que havia por trás de tudo, tendo sido aventada até mesmo a possibilidade de uma conexão com a Máfia.

Oito anos mais tarde, a música de Jimi Hendrix ainda aponta para o futuro, mas sua história tornou-se um arco-íris obscurecido por uma revoada de abutres.

*TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NA REVISTA “MÚSICA” 

hendrix digital

As fitas de Hendrix (Time/Manchete* 1976)

O que Mick Jagger e outros cobras do rock de meados dos anos 60 apenas sugeriam, Jimi Hendrix fazia direto no palco. Seus cabelos eriçados como por efeito da eletricidade, seus lenços e fitas caindo sobre coletes de lantejoulas e jaquetas de veludo numa desordem elegante, ele parecia um selvagem desvairado fazendo o papel de um dândi da Carnaby Street. Sua guitarra era uma pulsante extensão fálica que ele acariciava, arremessava contra o público e incendiava no final do espetáculo. Sua música era o blues em estado bruto, berrado no volume máximo. Estourando no cenário da música pop em 1967, no auge do movimento do 'acid-rock', Hendrix foi uma sensação: a primeira superestrela negra do rock. Três anos depois, ele morria, aos 27 anos de idade, vítima de uma dose excessiva de barbitúricos.

Suicídio ou acidente? É impossível saber. O que só agora foi determinado é que no último ano e meio de vida Hendrix se achava insatisfeito. Sentia-se prisioneiro de sua imagem, de seus empresários e do próprio som que o havia lançado para a fama. A fórmula comercial fora tão bem sucedida que os empresários proibiam qualquer modificação. Por isso, toda noite em que não estava dando espetáculos, Hendrix se recolhia a um estúdio de gravações em Manhattan (que era em parte propriedade sua e que ele denominara Electric Lady) para tocar a música de sua própria preferência. Músicos de passagem por
Nova York sempre sabiam onde encontrá-lo. Figuras luminares do rock, como Eric Clapton (do antigo Cream), Stephen Stills (do Crosby, Stills, Nash & Young) e John McLaughlin (que fundaria a Mahavishnu Orchestra) costumavam aparecer no estúdio. Hendrix distorcia, esticava e rompia as notas musicais como nunca o fizera no palco. Fazia sua guitarra gritar como uma alma perdida do Delta do Mississipi. Às vezes ela soava como um metal, às vezes como um violino.

Subitamente, parecia gargalhar até uma cadência final. Um velho número de blues tradicional era capaz de durar até meia hora.

E as fitas magnéticas estavam rodando o tempo todo. No entanto, sem terem recebido o merecido valor logo após a sua morte, entre 600 e 800 horas de gravação foram estocadas num depósito e esquecidas. Na última primavera, tendo lançado três Lps póstumos de Jimi Hendrix e sentindo necessidade de material, a Warner Bros. Records perguntou ao antigo produtor de Hendrix, Alan Douglas, se ele sabia da existência de outras fitas, "Certamente", disse Douglas, que passou muitas noites em Electric Lady. "Pensei que todo mundo soubesse a respeito das gravações guardadas no depósito".

Douglas já ouviu cerca de 250 horas de fitas e acha que dispõe de material suficiente para vários álbuns. Por enquanto, está se concentrando na produção de cinco LPs, o primeiro devendo sair em outubro, para que todos possam ouvir a verdadeira música de Jimi Hendrix.

*Manchete, 1976?

Jimi Hendrix na Ilha de Wight
(Caetano Veloso-1970*)

"WE GET HIGH, WE NEVER DIE" - "A VIDA E A MORTE CALÇAM IGUAL" - "É UMA VIAGEM TÃO VIVA QUANTO A MORTE, NÃO TEM SUL NEM NORTE NEM PASSAGEM" - "ATÉ EXPLODIR COLORIDO NO SOL, NOS CINCO SENTIDOS, NADA NO BOLSO OU NAS MÃOS". "JIMI HENDRIX DIES AGED TWENTY FOUR: DRUG OVERDOSE".

Mick Jagger ao receber a notícia; "WE ARE COMPLETELY STONED". (Como terá sido a manchete do Globo?). Um Bubble: "Legal, ele quis curtir o barato da morte".

Jimi Hendrix, dois dias antes de morrer: "COMECEI A PENSAR NO FUTURO. EU JÁ DEI A ESTA ERA DE MÚSICA TUDO. ESTA ERA DEFLAGRADA PELOS BEATLES CHEGOU AO FIM: ALGUMA COISA NOVA TEM DE VIR E JIMI HENDRIX TEM DE ESTAR NESSA".

No palco, na Ilha de Wight, não havia nada que não fosse perfeito espelhamento da maquiagem da vasta platéia: uma guerra interna frouxa nem de longe ameaçava mudar o sentido daquele acontecimento: um gauchismo tipo derrubar-as-prateleiras-as-estátutas-as-estantes-etc. não pode mesmo querer ser grande novidade dentro de um universo musical & poético que comporta os Rolling Stones de 'Salt of the Earth', a busca do sal da terra fora das fronteiras da cidade-festiva. No palco, na ilha de Wight, não havia nada que não fosse o que todo o mundo já sabia. No palco, na Ilha de Wight, não acontecia nada. Ele entrou sorrindo e mascando chicletes, leve, meio voando voando sobre as botas de salto alto, sorrindo, testando o som da guitarra, incrivelmente bonito, doce, muito muito bonito, as pernas enxutas, rebolando um pouco, safado, como um moleque das ruas da Bahia, sorrindo, testando o som da guitarrra, vindo tranqüilo do fundo do palco. "THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE", o apresentador anunciou errado: o conjunto que leva esse nome dissolveu-se há mais de um ano atrás quando Jimi voltou para os Estados Unidos onde, depois de algum tempo de silêncio, formou um novo grupo chamado Band of Gipsies. Nesse momento estavam no palco Jimi Hendrix, Billy Cox (do Band of Gipsises) e Mitch Mitchell (do Experience). Os três nunca haviam tocando juntos antes e não pareciam ter ensaiado muito para aquela noite. Jimi pediu a Mitch Michell que começasse a tocar enquanto ele tentava com os engenheiros de som controlar a amplificação da guitarra que, visivelmente, não estava dando a sonoridade qeu ele queria. O público esperava com a paciência dormente dos hippies. Jimi vinha até à frente do palco, sorria, testava o som, voltava para os engenheiros que corriam de um lado para o outro do palco nervosos, enquanto Mitch Mitchell batia qualquer coisa e o tempo passava. Sem que o problema fosse resolvido, Jimi iniciou 'Spanish Castle Magic' e seus companheiros o seguiram não muito assustados. Ele tocava e cantava provisoriamente: entre uma estrofe e outra ele se voltava para os engenheiros e fazia de suas improvisações um teste de som. Como nunca dava certo, começava a rir e voltava a cantar, a pulsação natural de sua música enfrentando microfonias.
Ele havia entrado em cena com um projeto difícil em mente: conseguir ligar aquela multidão sem utilizar os recursos cênicos que contribuíram tanto para a sua fama quanto a genialidade de sua música.

"Não saio daqui enquanto vocês todos não estiverem ligados".

Durante uma hora ele tocou e cantou lutando contra os amplificadores. O público permanecia entre frio e assustado: eles haviam gritado e aplaudido de pé quando o nome de Jimi Hendrix foi anunciado e agora nem sequer sabiam quando um número terminava pois, além de não haver finais convencionados pelo conjunto, cada canção ao chegar ao fim transformava-se num novo teste se som e algumas foram interrompidas na metade. No entanto, em todos os momentos, sem que nada ajudasse a percepção disso, estava presente a beleza do trabalho de um dos maiores artistas que já houve. "Vocês querem aquelas coisas velhas?" - "Todas elas", eu respondi e ele me olhou com um sorriso sacana - "Então vamos lá". Aí ele iniciou a segunda hora de sua apresentação: Uma antologia de tudo o que ele deu a essa era. Sex & Blues. Ele abria as pernas e botava a língua pra fora e tocava guitarra com os dentes e punha o braço da guitarra entre as pernas e acariciava. E o públçico resolvia se ligar porque agorar sim reconhecia Jimi Hendrix, mas não conseguira ir muito longe: algo permancia incômodo, havia um distanciamento: Jimi sorria sabendo o que isso significava: a frieza da primeira hora fora mais real do que a animação redescoberta: essa animação era nostálgica: tudo aquilo estava no passado e no entanto ele estava presente, novo em folha, saudável. Ele estava provisoriamente ali, mas estava ali mesmo, presente, vendo tudo. E seu olhar quebrou o espelho. Poucos dias depois ele diria a um jornalista que a era dos Beatles chegara ao fim e que ele queria engordar. Os jornais ingleses comentaram que na Ilha de Wight Jimi Hendrix havia feito a pior apresentação de sua vida. Mas seu sorriso naquele momento, a saúde com que ele movia as pernas imitando-se a si mesmo, a eternidade de sua música naquele momento - tudo isso mostrava o esboço e a exigência de um novo projeto. Essa era de música acabou. A era da música? A era do despedaçamento planejado e colorido, a era de uma juventude que se cria o sal da terra, a era da embriaguêz e do lazer mais ou menos perigoso, a era das crianças da classe média on the road, a era da pele, dos cabelos. A era das drogas que, segundo o 'O Globo' e o 'Evening Standard', mataram Jimi Hendrix. Quem é o sal da terra? Essa última ofensiva não foi capaz de impedir que os 'Globos' e os 'Standards' da vida continuassem existindo. O que é o sal da terra? Que aquilo que Jimi Hendrix vislumbrou antes de morrer seja mais eficaz.

"A EXPRESSÃO 'FUNDIR A CUCA DE ALGUÉM' É VÁLIDA. AS PESSOAS GOSTAM QUE VOCÊ FUNDA A CUCA DELAS. EU QUERO FORMAR UMA BANDA GRANDE E CRIAR UM NOVO TIPO DE MÚSICA. AGORA NÓ VAMOS FUNDIR A CUCA DAS PESSOAS MAS, ENQUANTO ELA SE FUNDE, NÓS VAMOS CONSTRUIR ALGO PARA PREENCHER O VAZIO".

*TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO 'O PASQUIM' (21 A 27 out. / 1970). E RETIRADO DO LIVRO 'ALEGRIA, ALEGRIA' 1977.


Jimi Hendrix 1965 Night Train Television Show
Jimi in the backline of Buddy & Stacy doing "Shotgun" on the television show Night Train from 1965.

 

 

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