Blow-Up: estudo poético da juventude psicodélica


Blow-Up, estudo poético da juventude psicodélica
(Mário Pacheco*)

 

 

 

Foi através do conto: Las babas del diablo, do escritor argentino Julio Cortazar, que o cineasta italiano Michelangelo Antonioni, traçou o vazio moral da faiscante Swinging London.

O mecanismo do cinema é a fotografia, e através dela, Antonioni expressou uma linguagem inovadora fazendo um novo cinema com o seu principal argumento ou seja, reciclou o próprio cinema através da fotografia, por fim arrebatando A palma de ouro no festival de Cannes em 1967.
 
Jovem e bem sucedido o fotógrafo Thomas, está inseguro em relação ao seu futuro e rodeado por lindas modelos, ele vive a impossibilidade do amor.
 
Passeando pelo parque, em um clic despretensioso, ele capta um casal se beijando, horas depois ao revelar o filme, involuntariamente, descobre que resgistrou um crime.
 

Jane, a mulher da foto aparece misteriosamente em seu estúdio, fracassando na tentativa de reaver o filme, em seguida desaparece misteriosamente assim como o corpo da vítima.

Preocupado com o vazio das relações humanas, Thomas assiste em um pub uma impagável aparição dos Yardbirds, onde recolhe os restos da guitarra de
Jeff Beck para depois jogá-los em algum beco...

Desencantado e temendo por sua lucidez e pela falta de perspectiva para a sua profissão, ele procura desesperadamente encontrar Jane, pelas ruas pintadas, de Londres. (O próprio Antonioni pintou algumas ruas para conseguir o tom desejado da cor).

No final, Thomas encontra Jane, de uma maneira irreal, quando um grupo de mímicos com os rostos pintados jogam uma partida surrealista de tênis, mas Thomas para o seu desespero não consegue encontrar as respostas em torno do assassinato e da sua própria vida...

     *Texto originalmente publicado no fanzine Rock'n'Roll News, nº 17, a 31 de março de 1987. 5º aniversário;

 ** Quarta-feira, 3 dez. / 2003. O ator inglês David Hemmings morre de crise cardíaca, aos 62 anos. Ele estava na Romênia participando das filmagens de Samantha's Child. Havia acabado de rodar uma cena e dirigia-se para o trailer quando caiu morto, vítima de um ataque fulminante. David Hemmings fez o papel de Thomas em Blow-Up. Quando o diretor do filme o escolheu para fazer o papel principal ainda era um desconhecido, mas logo ganhou notoriedade fazendo outros filmes como intérprete, Barbarella por exemplo. Trabalhou com grandes atores como: Marcello Mastroianni e Alain Delon. Em 1972, estreou na direção, ganhando consagradores elogios da crítica e até um prêmio no Festival do Cinema Fantástico de Sitges pelo filme The Survivor (O Sobrevivente), baseado no livro, também premiado, de James Herbert, sobre um piloto que sobrevive à explosão do seu jato. Seis anos mais tarde, fez seu filme mais polêmico como diretor - Apenas um gigolô, no qual conseguiu reunir um elenco formado por Kim Novak, David Bowie e a eterna Marlene Dietrich, que interrompeu seu exílio em Paris para fazer o papel de uma velha madame. Os críticos, de maneira geral, acharam que o filme era uma colcha de retalhos sem muito nexo. Desde então, Hemmings dirigiu filmes de uma ambição mais modesta, como A chave para Rebeca, Cavalo indomável e Reunião de natal. David Hemmings diminuiu o ritmo de filmagem nos anos 90, que foram difíceis para ele, por motivos de saúde. Recentemente apareceu em filmes como Gladiator, de Ridley Scott, e A liga extraordinária, de Stephen Norrington. O último filme que completou foi The night we called it a day com Dennis Hopper e Melanie Griffith.

 

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